Match Point (4/5)

É o caso deste “Match Point”, um filme que só no desenlace revela alguns sinais do saxofonista, pois até aí ninguém seria capaz de dizer que estávamos perante um filme seu. E talvez por isso me apetece dizer que este é o melhor Woody Allen de sempre, ao revelar uma capacidade até aqui desconhecida de escrever uma história sólida com princípio, meio e fim e de a filmar num registo que não é o seu. Ao ter revelado a difícil capacidade de se reinventar a si próprio, num momento em que já goza de um estatuto consolidado na indústria, Woody merece todo o reconhecimento que está a obter em Hollywood (como são exemplo as nomeações para os globos de ouro) apesar de se saber que não é isso que ele busca.
Surpreendente é também a prestação de Jonathan Rhys-Meyers como Chris Wilton (até aqui desconhecido do grande público), a personagem principal desta história que mistura ténis, alta-sociedade, ambição desmedida e amor. Tudo com a dose certa de realismo e seriedade que não estávamos habituados a ver em Woody Allen e com apenas uma cena - a do “julgamento” - a la Woody. Só que aqui, sem as habituais psicoses e personagens neuróticas que povoam os seus filmes, a cena acaba por resultar num grande momento cinematográfico, humorística e simultaneamente solene.
É Woody Allen no seu melhor, quem dera que fosse sempre assim...